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Camisa por dentro da calça

Faz tempo que meus dois filhos implicam com o meu hábito de vestir a camisa por dentro da calça. Como sempre, eu me divirto. Há uns dias minha filha Juliana (de seis anos) me veio com essa:

- Pai, por que é que você põe a camisa por dentro da calça?
- Por que o papai acha mais confortável.
- Por que é que você prefere o conforto à beleza?
(.... pausa pra pensar numa boa resposta...)
- Acho que é porque eu sou velho!

Pai, você tem que ser forte

Sou fã do Nerdcast, um podcast muito divertido, feito por uns nerds cariocas. Eles falam um pouco de tudo o que interessa: filmes, livros, história, jogos, etc.

O episódio 101, sobre Traumas de Infância, foi um dos mais engraçados. Melhor ainda foi uma carta de um ouvinte, lida no episódio 102, na qual ele contou um trauma da sua infância causado pelo seu pai. Eu não vou contá-lo aqui pra não estragar pra vocês. Baixem o episódio e ouçam. A leitura das cartas é logo no início do episódio.

Acontece que eu achei a história tão engraçada que fui logo contar pro meu filho. Depois de contá-la eu fiz questão de que ele a escutasse o iPod. Na manhã seguinte eu fiz a mesma coisa com a minha esposa, que não achou tanta graça. Tenho uma teoria de que as mulheres têm uma deficiência no seu senso de humor, mas isso não vem ao caso agora.

Eu estava tão empolgado com a graça da história que ficava repetindo uma frase que o pai do rapaz teria dito pra ele usando uma voz bem grave:

- Filho, você tem que ser forte. Sua mãe vai virar peixe.

Eu repetia a frase e dava risada.

Naquela manhã era minha vez de levá-los pra escola, dando carona pra um coleguinha do meu filho. É óbvio que eu não podia perder a chance de contar pra mais um e recomecei a repetir a frase no carro. Foram várias vezes.

Chegando na escola todos saímos do carro. Eu encarei meu filho mais uma vez e repeti:

- Filho, você tem que ser forte. Sua mãe vai virar peixe.

Ele me encarou e falou o seguinte engrossando a voz:

- Pai, você tem que ser forte. Essa piada já perdeu a graça.

Sorvetou!

Minha sobrinha ligou querendo falar com minha filha. Encontrei-a assistindo TV enquanto minha esposa penteava-lhe cabelos. Eu disse a ela que era a prima e entreguei-lhe o telefone. Ela colou-o ao ouvido direito e a mãe reclamou que assim não dava pra continuar penteando...

Vocês sabem o quão difícil é conseguir a atenção de uma criança de cinco anos quando ela está vendo TV, não? É pior ainda quando além dos olhos ela tem os ouvidos ocupados com o telefone.

Eu disse e repeti algumas vezes:

- Troca o telefone de lado.

Mas não adiantou. Foi só quando eu elevei a voz acima do volume da TV que ela se dignou a olhar pra mim. Eu aproveitei a chance e repeti mais uma vez:

- Troca o telefone de lado!

Ela acenou com a cabeça, indicando que havia entendido e pediu pra prima:

- Espera aí, espera um pouco...

Daí ela virou o telefone 180º e colou as costas dele ao mesmo ouvido dizendo:

- Pode falar, prima!


Enquanto eu me dobrava de rir a mãe ainda conseguiu dizer:

- Sorvetou!

Embebe em álcool e põe

Não foi a situação mais constrangedora pela qual já passei, mas é o máximo de constrangimento que eu me atrevo a passar neste blog.

Aconteceu há alguns meses. Fui à dentista pra dar uma olhada num dente que estava me incomodando. Conheço-a há muitos anos e o nosso papo é sempre bem agradável. Cheguei e esperei um pouco enquanto ela terminava uma consulta. Na minha vez ela me pediu um tempinho pra arrumar as coisas, já que era tarde e sua secretária já havia ido embora. Aproveitei pra iniciar o papo falando do assunto padrão: filhos. Os meus estavam gripados e tiveram febre naquele dia.

Eu falava disso em pé, na porta da sala do consultório, enquanto ela ia de um lado pro outro arrumando as coisas. Quando eu falei de febre ela parou, me encarou seriamente e disse:

- Sabe, eu fiquei sabendo esses dias de uma técnica ótima pra tirar a febre sem precisar de remédio.

Parecia importante e eu prestei atenção enquanto ela explicava:

- Você pega uma meia, embebe em álcool e põe.
- No ânus? Eu perguntei assustado.
- Não! Ela retorquiu encabulada. No pé!


(Podem terminar de rir... Eu espero.)


Eu sei... parece inacreditável que eu tenha dito aquilo. Mas depois de ter um acesso de riso na frente dela que durou uns dois minutos eu consegui me acalmar e tentei colocar panos quentes. Nessas horas é melhor ficar quieto pra não piorar as coisas. Mas eu não me lembrei disso e falei:

- É. Se fosse, curava tudo, né?

Não podia ficar muito pior do que isso. Durante toda a consulta eu me esforcei pra prestar atenção à conversa mas sem muito sucesso. Virava e mexia e lá vinha aquela risada impossível de evitar. Uma semana depois do incidente eu ainda tinha ataques de riso nos momentos menos convenientes. Minha esposa já não agüentava mais.

Mas eu tentei aproveitar este tempo pra entender como é que aquilo pôde acontecer.
Não, justificar não, pois é impossível. Mas eu queria encontrar uma explicação pra aquela idéia estapafúrdia ter passado pela minha cabeça.

A explicação que encontrei é a seguinte. Em primeiro lugar, quando ela começou a falar da tal "técnica" eu tive a nítida impressão de que ela havia abaixado a voz, como se estivesse tomando cuidado pra não falar alto demais. É bem possível que isso não tenha ocorrido de verdade e que tenha sido uma falsa impressão decorrente do fato de ela ter parado de fazer o que estava fazendo pra falar do assunto. Pode ser, também, que eu simplesmente tenha construído esta memória na tentativa de encontrar alguma explicação pra minha escorregada. Não sei. Mas alguma coisa na atitude dela sinalizou pra mim que poderia haver algo de "inusitado" na técnica que ela estava pra me explicar.

Em segundo lugar, quando ela disse "embebe em álcool e põe" ela fez um movimento insinuante com a mão direita. Primeiro ela uniu as pontas dos cinco dedos e os apontou pra baixo. Depois ela fez um movimento rápido de rotação com o pulso fazendo os dedos apontarem para o teto. Não sei quanto à vocês, mas por mais que eu pense sobre o assunto eu não consigo imaginar alguém fazendo este movimento pra calçar uma meia.

Nos poucos décimos de segundo que se passaram entre ela dizer "e põe" e eu responder "no ânus?" meu cérebro construiu uma imagem inusitada e totalmente diferente da que ela tentava representar. E diante do espanto que a imagem me causou, não houve tempo para eu me censurar e me impedir de proferir aquela obcenidade.

Mas não foi tão ruim como pode parecer. Afinal, nós nos conhecemos há bastante tempo. A única coisa que me incomoda agora é não saber o que ela ficou pensando depois. Quer dizer, ela também deve ter construído a sua própria teoria sobre a minha reação. Espero que eu não tenha ficado muito mal na fita...

Acho que não. Afinal, eu escrevi este post alguns dias depois do incidente, quando a memória ainda estava vívida. Desde então já estive no consultório dela outra vez e não houve nenhuma rememoração constrangedora. Só por isso resolvi finalmente publicar minha história.

Agora é com vocês. Ajudem-me a me sentir melhor contando as suas próprias experiências constrangedoras e fazendo-me acreditar que todo mundo passa por isso uma vez ou outra.

Futuro Maquiavel

A dor de barriga do meu filho continuou hoje. Os exames de ontem não mostraram nada, mas ainda havia uma possibilidade de ser apendicite. Liguei pro médico e fomos vê-lo no final da tarde. Desta vez ele foi taxativo dizendo que não há mais possibilidade de ser apendicite, porque depois de 48 horas já deveríamos ver outros sintomas. O negócio é tomar canja-de-galinha e Luftal.

Enquando voltávamos pra casa fomos conversamos sobre feedback. Hoje cedo eu fui à escola pra reunião final do 4º ano. Mais uma vez saí de lá todo orgulhoso. O professor o elogiou bastante e eu confesso, com certo embaraço, que cheguei a gostar de algumas das poucas críticas, como a de que ele tem aumentado as "brincadeiras" em classe por estar-se tornando "muito popular".

Por coincidência hoje eu também fui avaliado pelo meu chefe. Aproveitei pra contar pro meu filho como foi esta experiência, explicando que a maioria das pessoas é "avaliada" a vida toda e que, embora às vezes isso seja desconfortável, é melhor tentarmos encarar as críticas como oportunidades. E blá, blá, blá... eu juro que ele estava interessado. :-)

Antes de chegar em casa, passamos na farmácia pra comprar umas coisinhas. A essa altura o papo já tinha ido fundo e eu não me lembro exatamente o que foi que eu disse que mereceu os seguintes comentários dele, que eu fiz questão de anotar num papelzinho pra não esquecer:

- Se você não sabe mentir você não sabe ganhar.
- Hein?
- A sinceridade nem sempre é o melhor caminho.
- Onde é que você leu isso, filhão?
- Eu não li. Eu raciocinei.

Pode?

Já dei uma batida no quarto dele mas não achei nenhuma cópia escondida de "O Príncipe". Não sei, não... estamos lendo juntos o "Pai Rico, Pai Pobre" e isso pode não estar sendo muito educativo. Preciso ser mais cuidadoso. :-)

Confundindo a anatomia

Ontem levei meu filho ao médico porque ele estava sentindo dor de barriga desde a noite anterior. O doutor apertou, escutou, perguntou, brincou e me pediu pra fazer uma radiografia e uma ultra-sonografia só pra descartar a possibilidade de ser um apendicite. Sempre achei que a dor de um apendicite era do lado direito mais pra baixo do umbigo e a dor que ele sentia era mais pra cima. Mas o doutor explicou que em alguns casos o apêndice fica virado pra trás, o que atrasa os sintomas e muda a posição da dor. Como ele não tinha tido febre ainda, o doutor não estava muito preocupado, mas o fato de ele estar andando meio curvado pra frente era sintomático.

Meu filho ficou um tanto encucado. Enquanto íamos pro laboratório pediu pra eu explicar o que era "aquilo que o médico falou" e eu aproveitei pra lhe dar uma aula grátis sobre A Teoria da Evolução e a Inutilidade do Apêndice.

Ele se acalmou e não falamos mais sobre o assunto. Esperamos, fizemos a radiografia, esperamos mais um tanto e fomos pra sala da ultra-sonografia. A enfermeira o deitou e nos deixou à vontade dizendo que o médico viria logo. Mas ele não veio. Demorou uns dez minutos, no mínimo.

Durante esse tempo, meu filho ficou deitado e rindo de umas piadas sem graça que eu ia contando. Mas, sua cabecinha não tinha parado de pensar "naquilo que o médico falou" e ele estava é com um nervosismo contido.

Depois de uma pausa entre uma piada e outra ele começou a apalpar a barriga.

- Tá doendo, filhão?
- Só um pouquinho, pai.

Ele foi apalpando até embaixo do umbigo.

- Pai. Onde é que fica o útero?
- Hein?
- O útero. Onde é que fica?

Cheguei a pensar que a escola estava dando aulas de educação sexual antes da hora.

- Bem... nas mulheres o útero fica aí embaixo do umbigo, onde você está apalpando.
- Qué dizê... aquele negócio que o médico falou que eu posso ter.
- Rá. É apendicite: uma inflamação no apêndice, que fica aí embaixo do umbigo, do lado direito.
- Ah. E o que que é útero?
- É onde os bebês crescem na barriga das mulheres.

Rimos bastante, até quase o médico chegar.

Depois da ultra-sonografia, fomos esperar o resultado e ficamos vendo umas revistas. Depois de uns minutos ele perguntou:

- Pai, o que é aprose?
- Hein?
- Aquilo que eu posso ter?
- É "apendicite", não aprose.
- Ah!
- Deixa eu anotar essas barbaridades que você tá dizendo num papelzinho aqui pra eu não esquecer e poder contar pra mamãe.



O Quereres

Domingão é dia de tirar o atraso do sono acumulado na semana. Se você não tem filhos, é claro. Hoje cedo (não tão cedo) a Juliana me acordou docemente, gritando:

- Quero Toddy!

Eu era o único em casa que ainda estava na cama e resolvi fazer corpo mole pra ver se alguma alma caridosa se compadecia de mim e fazia o Toddy pra ela. Mas quem já estava acordado não tinha muita razão pra se compadecer. Desconfio mesmo que o pedido da Juliana tenha sido redirecionado de outra pessoa.

Eu me fiz de morto. Eu virei pro outro lado. Mas ela não desistia. Resolvi apelar pras cócegas pra ver se ela fugia. Mas ela gostou da brincadeira e resolveu revidar. Quando as táticas de despistamento se esgotaram eu tentei uma abordagem direta e lhe perguntei:

- O que você quer?
- Quero Toddy!
- Mas eu quero ficar na cama, filha.
- Vai fazer Toddy agora!
- Filha, escuta. Você quer Toddy e o papai quer ficar na cama. Por que é que o seu querer é mais importante que o meu?
- Por... que... vo... cê... é... pai!

Trem de pouso

Esse nome nunca fez o menor sentido pra mim até o mês passado quando eu estava passeando em Belo Horizonte. É óbvio que foi coisa de mineiro. Posso até imaginar que tudo começou numa conversa:

- Omi, ocê viu a notícia do avião qui teve di posá de barriga purque os "trem" de pouso num descêru?

Saber perder

Outro dia minha filha Juliana, de cinco anos, veio até mim chorosa e reclamando que seu irmão e sua prima, mais velhos, não a estavam deixando brincar com eles. Perguntei qual era a brincadeira e ela me disse que eles estavam jogando um jogo que ela não conseguia ganhar. Pensei em aproveitar a situação pra explicar pra ela algumas coisas sobre a vida:

- Escuta, filhinha. Você tem que entender que num jogo todos querem ganhar mas só um consegue. Os outros perdem mesmo.
- Mas eles não deixam eu ganhar.
- Você tem que aprender a perder.
- Eu sei perder. Eu não sei é ganhar.

Dia da Toalha

25 de maio é o Dia da Toalha, no qual homenageamos Douglas Adams, autor do Guia do Mochileiro das Galáxias.

Se nada disso faz o menor sentido pra você, "não entre em pânico", é "praticamente inofensivo". Mas também é instrutivo. Saiba que nos seus livros, Douglas Adams abordou a questão fundamental sobre "a vida, o universo e tudo mais", conseguindo, pela primeira vez, encontrar sua resposta cabal e completa: 42.

Ainda tá difícil? Quem sabe algumas imagens possam esclarecer.

Este sou eu lendo atentamente uma passagem importante.


Aqui eu estou demonstrando a minha satisfação por ter sido capaz de compreendê-la:


(Não estou a cara do Mr. Magoo?)

Confiante com meus novos conhecimentos, encontrei-me com outros wanabe-nerds (Andreyev e Daniel).


Zaphod Beeblebrox tirou esta foto ao nos dar carona em sua nave Coração Dourado pra almoçarmos juntos no "restaurante no fim do universo".


"Até mais, e obrigado pelos peixes!"

Filho de peixe...

Ontem eu estava me preparando pra por meu filho pra dormir e comecei dando a bronca padrão pra ele deixar as coisas arrumadas pra manhã seguinte. Aproveitei e mandei-o guardar um spray desodorante que devia estar no escritório mas que estava no banheiro dele. Enquanto ele cumpria minhas ordens eu fui me preparar.

Voltando do banheiro eu vi uma lanterna sobre a minha cama. A vontade de dar outra bronca chegou a passar pela minha cabeça, mas fiquei com pena e decidi eu mesmo ir guardá-la. Só que o lugar dela é na cozinha, do outro lado da casa. Saindo do meu quarto eu vi que a porta do corredor já estava fechada. Aí bateu aquela preguiça e eu resolvi deixar a lanterna na sala de TV pra guardá-la na manhã seguinte.

Depois de todas as minhas broncas, confesso que senti um certo desconforto. Era como se eu estivesse enganando meu próprio pai, adiando uma ordem direta dele. Por isso, decidi deixar a lanterna escondida atrás da TV. Coloquei-a com cuidado pra ela não rolar pro chão e já ia voltando quando notei um pequeno objeto sobre o móvel, encostado na TV. Era o spray que eu havia mandado meu filho guardar no escritório.

O danado teve a mesma idéia!

Não é incrível como os filhos podem sair aos pais?

Explicando pro meu filho

"Porque sim" não é resposta.
"Tanto faz" é uma resposta que não satisfaz.
"Pode ser" só é resposta pra você.

Ode ao Rafa

Ontem fui à reunião de final de ano na escola de meus filhos conversar com suas respectivas professoras. Saí de lá todo orgulhoso, como convém. A professora de meu filho mais velho, Tiago, me deu um cartão de Natal que ele fizera pra família. No computador, bem bacana. Ele o escreveu em duas estrofes. A primeira é pra família:


Querida família,
Eu desejo um ótimo natal e final
de ano e um ótimo 2007 eu
quero que vocês ganhem belos
presentes.

Bastante apropriado. Mas a segunda é genial:

Razão da minha vida
A estrela do meu coração
Força que nos uni
Alegria da minha vida
Energia do universo
Lutador da humanidade
Laço da paz
Ordem do universo você é o
Rafaello.

Enquanto eu lia os primeiros versos ficava imaginando ansioso pra quem é que ele estaria dizendo essas coisas tão bonitas. (Seria pra mim? Pra sua mãe? Pra babá?) Sua professora disse que quando leu seu queixo caiu e ela lhe perguntou:

- Rafaello, o pintor?
- Não, meu gato.
- Ah... é claro...seu gato.

Acontece.

Pai de quem?

O telefone toca e eu atendo.
- Alô?
- Gustavo?
- Sim.
- Aqui é o Roberto, paisagista.
<... eu, pensando ...>
- Pai de quem?
- Paisagista!
- Ah! Putz... com tantos coleguinhas dos meus filhos eu fiquei pensando quem seria essa Gista.
- Sei.

Acontece.

Scott Adams, filósofo

Há um bom tempo eu sou fã das tirinhas do Dilbert. Pra quem não sabe, sai uma nova a cada dia. Eu as leio religiosamente desde que cadastrei o site no meu blogroll. Vira e mexe aparece uma que me pega desprevenido e me tira do peito aquela gargalhada pra "disopilá o figo".

Há alguns dias eu descobri que o Scott Adams, autor das tirinhas, também tem um blog. É uma delícia ler o que ele escreve. Além de um estilo leve e irônico que me lembra muito o do Douglas Adams, autor do clássico satírico The Hitchhiker's Guide to the Galaxy, o que o Scott escreve tem "sustança". Já li dele coisas importantes sobre religião, filosofia e democracia, mas também coisas mais leves sobre hipnotismo e gripe.

No post de hoje ele escreve sobre brevidade filosófica, quer dizer, aquelas frases curtas que têm a capacidade de condensar uma grande idéia ou de encerrar uma discussão interminável. Nos comentários alguns leitores sugeriram outras frases interessantes. Segue minha tentativa de traduzir algumas das que mais gostei.
  • Sobre a guerra entre cristãos e muçulmanos que estamos presenciando desde o 9/11, ele diz que são "aqueles que acreditam que um cara caminhou sobre as águas contra aqueles que pensam que um cavalo pode voar".
  • O comediante Larry Miller descreveu a estratégia dos EUA na guerra contra o Iraque assim: "seguir dirigindo até que eles atirem na gente".
  • "A vida é uma doença terminal transmitida sexualmente."
  • "Há 10 tipos de pessoas no mundo: aqueles que sabem binário e aqueles que não sabem."
  • "Quando você chegar ao final da jornada, dê um nó e enforque-se."
  • "Para aqueles que insistem em dizer que você tem que adquirir um gosto por alguma coisa eu digo que você pode adquirir gosto por merda, mas pra que você ia querer fazer isso?"
  • "Não leve a vida tão a sério. Você não vai sair vivo dela."
  • "Well-rounded people are pointless." (Ótima, mas intraduzível.)
  • "O dinheiro só tem valor se você o gasta."
  • "Don't Panic." (Não podia faltar.)
  • "Guerras religiosas são brigas de vida ou morte pra decidir quem tem o melhor amigo imaginário."
  • Mahatma Gandhi, quando perguntado sobre o que achava da civilização ocidental: "Seria uma ótima idéia."
A que eu mais gostei foi a que a mãe do Einstein disse pra ele no filme Young Einstein. Depois de explodir o telhado da casa em que morava, o jovem Einstein resolve explicar a teoria da relatividade pra sua mãe. Depois de ouvir a longa explicação, a mãe olha pro filho e diz: "em outras palavras 'tudo o que sobe tem que descer'".

Gostei porque me lembrou o que minha mãe me disse no verão de 1984/1985 quando, tendo terminado o meu primeiro ano de faculdade em ciência da computação, tentei explicar pra ela a beleza da tecnologia por trás dos computadores e da matemática por trás da programação: "mas se esse negócio não faz nada sozinho, se você tem que 'programar', então qual é a vantagem?". Acho que até hoje não consegui esclarecer esse ponto pra ela.