Bug no cliente FTP do Windows

Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras, então vejam esta:

Pra quem não se deu ao trabalho de entender, o enredo é o seguinte. Estou numa janela de comandos do Windows e num diretório que contém um arquivo chamado file.txt contendo oito bytes. Daí eu invoco o comando de linha "ftp" e me conecto a um servidor remoto. Verifico que não existe no servidor FTP um arquivo com o mesmo nome e me engano usando o comando "get file.txt" ao invés do "put file.txt".


A mensagem de erro "550 file.txt: No such file or directory" é bastante clara e indica exatamente o que eu fiz de errado. Mas... ao sair do comando ftp e listar o conteúdo do diretório local sou surpreendido ao ver que o arquivo file.txt foi truncado e está com zero bytes!

Parece que quando fazemos um "get" no ftp do Windows ele abre o arquivo pra escrita antes de verificar se o arquivo existe no servidor FTP. Nesse caso, a abertura pra escrita trunca o arquivo local e o deixa com tamanho 0.

Um colega me disse que no Windows 98 e no Windows 2000 o arquivo local é removido do diretório. O exemplo acima foi executado num Windows XP, que não remove o arquivo mas o deixa vazio. Parece que eles estão melhorando... alguém pode testar no Windows Vista pra ver se já está corrigido? :-)

Em tempo, testei na minha máquina Linux (Kubuntu 7.04) e o problema não ocorre.

O Futuro é Wiki

É o título de um artigo muito interessante do professor Milton Campanário da FEA-USP.

Ele comenta os assuntos tratados em dois best-sellers recentes: Wikinomics e The Wealth of Networks. Quem se interessa por economia, inovação, software livre, propriedade intelectual ou produção colaborativa, vale a pena conferir.

Ruby on Rails

Assisti ontem a uma palestra excelente sobre Ruby on Rails. É a terceira ou quarta palestra sobre RoR a que eu assisto. Descontando a do próprio David Hansson a que eu assisti no FISL 6.0 esta foi a mais detalhada e interessante. A impressão que eu tive depois de conversar com algumas das 30 pessoas que estavam lá é que o Bill Coutinho da Dextra conseguiu entusiasmar várias delas.

Além dos tutoriais tradicionais e da geração automática de código (scaffold!) o Bill apresentou uma perspectiva mais atual e mais madura sobre a utilização do framework. Alguns pontos que o Bill ressaltou na palestra:
  • A Dextra mediu um incremento de 100% na produtividade nos primeiros projetos RoR executados por programadores com experiência em Java.
  • Programadores Java têm pouca dificuldade em aprender Ruby e RoR.
  • O JRuby permite rodar
    aplicações RoR dentro de servidores de aplicação Java como o Tomcat e o
    JBoss, o que possibilita a integração de uma interface web RoR com
    bibliotecas Java.
  • RoR é ótimo para desenvolver aplicações web baseadas em bancos de dados. Fora disso, use outra coisa.
  • Programar em Ruby é muito mais legal que programar em Java. :-)

Google Android

Há um artigo interessante sobre lançamento do SDK do projeto Android do Google. Pra quem ainda não viu, o Android é uma plataforma aberta para dispositivos móveis baseada em Linux e Java.

O Google junto com outras 34 empresas formaram o Open Handset Alliance pra desenvolver esta tecnologia que parece que vai estar disponível comercialmente no segundo semestre de 2008.

O autor do artigo já está chamando o Android de tecnologia de ruptura. Será?

SGBDs orientados a colunas

Semana passada assisti a uma palestra do Eduardo Sato da Sybase na qual ele explicou a tecnologia por trás do Sybase IQ, um banco de dados relacional usado em ambientes analíticos, como data warehousing e aplicações de Business Intelligence em geral.

A tecnologia em questão se chama column-oriented DBMS e é essencialmente uma forma não-tradicional de armazenar os dados das tabelas em disco. Normalmente, os dados de uma tabelas são armazenadas por linhas, i.e., todos os campos de uma linha são armazenados de maneira contígua no disco. Já num SGBD orientado a colunas os dados de uma tabela são armazenados por coluna, i.e., todos os campos de uma coluna da tabela são armazenados de maneira contígua.

Essa diferença aparentemente trivial modifica totalmente as características de desempenho do banco de dados. O armazenamento por linhas é ideal para acessos de linha inteira. Pense num insert ou num update que modifique todos os campos da linha. Ou mesmo, num select *. De fato, a forma de armazenamento por linha é a que garante melhor desempenho para a maioria das aplicações transacionais.

Agora pense num ambiente analítico, no qual os inserts e updates são quase inexistentes e a maioria absoluta das consultas são de selects. Normalmente, as tabelas usadas nestes ambientes são "tabelões", com um grande número de colunas, resultado da agregação de várias tabelas extraídas de sistemas transacionais, planilhas e arquivos texto. Além disso, em ambientes analíticos é comum ocorrerem consultas ad hoc para as quais não se pode planejar a manutenção de índices e que acabam resultando muitas vezes na necessidade de full scans nas tabelas para executar a consulta.

O exemplo concreto que o Eduardo Sato usou na palestra pra explicar os ganhos que podem ser obtidos envolvia uma tabela com 10 milhões de linhas de 800 bytes cada uma. Considerando uma representação em disco usando páginas de 16KB, pra fazer um full scan nesta tabela seriam necessários 500 mil I/Os. Se esse full scan tivesse sido motivado por um select envolvendo apenas três colunas da tabela, usando uma representação em colunas poderia reduzir o número de I/Os para apenas 234. (Não é 234 mil. É 234 unidades!)

Além do ganho de eficiência nos selects, a representação em colunas também consegue ser mais compacta que a representação em linhas. Uma razão é que os campos NULL podem ser indicados pela mera ausência, ao passo que na representação em linhas eles precisam ser indicados por um código explícito. Outra razão é que é muito mais fácil compactar dados de um tipo único que dados de múltiplos tipos, como ocorre na representação em linhas.

Ainda outra vantagem da representação em colunas é que as alterações de esquema são muito mais fáceis e rápidas. Afinal é muito mais fácil inserir, remover ou alterar uma coluna quando ela está armazenada de forma contígua que quando seus dados estão "espalhados" pelas linhas da tabela.

O Sybase IQ não é a única implementação desta tecnologia. A página da wikipedia mostra uma lista de implementações concorrentes. Achei duas promissoras: o MonetDB e o Vertica.